Sexta Pegada – Alma Desalmada

E como estou assim como quem diz “mãos largas”, cá vai um poema que já escrevi há alguns meses e do qual gosto bastante, espero que também gostem! Aqui está o dito cujo:
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Poematurizem-me,
Não me computurizem
Simplesmente poematurizem-me.

Aviventem a minha alma tão ou tão pouco calma.
Calada, sem quase nada.

Ponham-me no meio da estrada,
Não estou nem sequer ralada
Se um carro passa ou não passa,
Esta vida está destroçada.

Na verdade não sou eu,
Não és tu, não somos nós
São eles que vivem para com eles!

Vivem?! Dizem que vivem.
Se chamam a isso viver,
Deixem-me crer que isto é um faz de conta.

Afinal vives ou sobrevives?
Estás aí à espera que te catives.
Perdido no nada, sem mapa
Nem ponto de chegada.

Mais valia estar calada,
Mas a minha alma está apavorada.

Deixem-na estar, ela vai-se aquietar.
Basta acreditar que, quiçá, um dia tudo irá mudar.
Para melhor, espera ela.
                                            01/08/2015

Quinta Pegada – As Pegadas Pedregosas

“Não há estrelas no céu a dourar o meu caminho,
Por mais amigos que tenha sinto-me sempre sozinho”.
A música é muito gira, mas a meu ver e na minha sentença não é bem assim… Pelo menos, no meu caminho, estou segura e convicta de que tenho muitas estrelas a dourar e alumia-lo… Basta olhar mais afincadamente, nem é preciso ir muito longe os meus próximos me bastam.
Não só aqueles que estão aqui e agora, como os que se encontram mais longe, mas que nem por isso se deixam se fazer presentes e sentir-se presentes.
“A distância não é nada, quando alguém significa tudo”. Impede o olhar e o toque físico, mas não impede o toque mental, sentimental, o dito idioma do coração!
Para além deste céu estrelado que se põe a cada dia que passa e que ilumina o meu caminho por entre a escuridão. É certo que todos nós atravessamos períodos de névoa, muita poeira, tempestades comparadas hiperbolicamente a dilúvios… Mas penso que é nesses precisos momentos que deveremos pensar: “Se a escuridão não existisse as estrelas também não poderião brilhar”. Porque é na escuridão que elas brilham, assim também é na fraqueza que aperfeiçoamos e renovamos as nossas forças e a nossa esperança de que, mesmo nos dias em que não alcançamos as estrelas, temos sempre Algo ou Alguém a olhar por nós, em qualquer circunstância!
Por mais pedrinhas e pedregulhos que iremos encontrar no meio do caminho, facemos com que estes não nos impeçam de prossegui-lo. “Pedras no caminho? Guardarei todas e um dia construirei um castelo”. A vida só exige isso de nós, que sejamos fortes, aprendamos a confiar e fitar este céu e mar de emoções mistas, este estrelar no olhar equidistante e esta força Maior de que somos todos Amados e que, por algum motivo, enfrentamos tantas batalhas tão avassaladoras e pedregosas que nos trarão consigo as suas lições vindouras e que irão derramar um novo espírito de renascimento para a vida.
O ressuscitar para uma nova vida plena de Amor e Alegria!
Não apenas na morte, a ressurreição acontece também em vida. Tem fé, crê e, acima de tudo, CONFIA! ❤
Porque há um céu de oportunidades, estás à espera de quê para te lançares? Avança e não desistas se falhares!
“A vida só quer que tu sejas feliz (…)”

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Quarta Pegada – Amar (te) (Des)Medidamente

Cada Lugar Teu (oiçam)

Olá caros seguidores, desculpem a minha ausência, mas acontece que, de momento, tenho andado ocupada com a escola e outros assuntos pendentes, pelo que não tenho tido tempo para publicar textos e coisinhas aqui. Hoje deu-me para escrever e tudo começa com uma caneta e um papel na mão, como não poderia deixar de ser.

Não sei se é por mero acaso que este caderno possuí esta divisória precisamente aqui. Certamente que não, foi um objeto planeado, estudado e estruturado desta forma. Mas, por alguma razão, situa-se exatamente naquele espaço de tempo, naquele terminal de passagem para outro ano. De facto, podia comparar este último ano a uma passagem abrupta de um terminal para o outro. Os locais de destino nem sempre foram os mais seguros, o caminho teve subidas e alturas íngremes por entre viagens turbulentas, destroços esvoaçantes e avassaladores. Só que lá pelo meio e bem lá no fundo existia uma pequena luzinha pronta a eclodir e a querer fazer-se presente. Queria ser a minha pretensa filial que passou a não ser sentida somente ocasionalmente, mas também sistematicamente.

Dizem que existe sempre uma luz ao fundo do túnel, por mais escassa que esta possa ser. E a verdade é que eu avistei-a e ela ergueu-se sobre mim. Aquela luz guia, aquele porto seguro nos dias de maior distúrbio e controbância, naqueles dias em que o dilúvio avista o mar e parece que não há nada nem ninguém que o detenha e faça parar. Basta haver uma mínima esperança, encontrá-la nas coisas mais pequenas, aquelas que, por vezes, nos passam despercebidas aqueles sinais que expelam amor.

Se há coisa que aprendi é que nada dura para sempre nem mesmo o rancor, a angústia dilacerante, os apesar dos apesares da vida… Exceto o Amor, esse sim é eterno! O Amor que “Não pode tudo, mas pode com tudo”. Não pode tudo na medida em que amar só nem sempre basta, é necessário amar mas sem medida, desmedidamente. Pode tudo, pois tudo suporta, tudo cura, tudo sara, tudo cicatriza. Ninguém disse que o amor não dói e que não deixa marcas, porque realmente dói e é possível sofrer-se de amor e por amor. De qualquer forma, o amor não deixa de ser belo, uma eterna melodia resplandecedora de luz e fogo que arde sem se ver. Fogo e calor provenientes da alma que, mesmo cega sente, mesmo fria descongela, mesmo apática reage e mesmo adormecida, DESPERTA!

Por isso, desperta no amor, nas relações, em ti, no mundo, no próximo, nas palavras, nas vivências, nas experiências… Desperta para a vida!

Será que consegues despertar o melhor que há em ti? E em mim?

 

 

 

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Terceira Pegada – Natal

Olá, para começar peço imensa desculpa pela minha ausência ao longo destes dias. Mas deveu-se a coisas muito boas e eu vou falar-vos disso muito em breve!

Apesar de vir um pouco atrasada, pois a prolongação do Natal terminou ontem dia 1 de Janeiro, aqui vai:

Para muitas pessoas o Natal é uma ocasião tanto ou tão pouco banal que se baseia na distribuição de presentes uns aos outros, acontece que não é bem assim… Tal como indica-me aqui o dicionário (sim eu ainda vou ao dicionário e é um ótimo auxílio!) “A palavra Natal que deriva do Latim Natale, é algo relativo ao nascimento; dia do nascimento; dia em que se comemora o nascimento de Cristo”. Como podemos ler neste verbete de dicionário Natal é sinónimo de nascimento, nascimento esse do Menino Jesus. Há 2015 anos, Maria concebeu-O e deu-O à Luz. Daí dizermos que ela é a nossa Mãe e Guia e pedirmos interceção por ela. Bem eu não estou aqui para falar-vos da história em si, mas sim para que percebam o que é e como deve ser vivido o verdadeiro Natal.

E agora refutavam, bem mas isso foi há 2015 anos atrás e desde ai que muita coisa mudou. Pois bem, é verdade nessa altura nem eu poderia estar a escrever isto ao computador, pois esses não existiam nem qualquer outro meio tecnológico ou de comunicação que temos hoje em dia. E com toda a razão! Uma das possíveis hipóteses pelas quais não aproveitamos devidamente esta quadra Natalícia é o furor existente por entre as tecnologias que possuímos e que nos possuem também a nós. Mas existem outras provações denominadas pecados, aqueles que nos afastam de Deus, da Sua palavra e que nos impedem de sermos felizes. Vivemos rodeados deles em todas as alturas, ele está e habita em nós é algo que nos ultrapassa e desunifica, mas estes fazem-se sentir muito também nesta época. Um deles e o principal é a ganância e a avareza que temos pelo dinheiro, em querer gasta-lo à fartazana em tudo quanto queremos e desejamos, por vezes, até em objetos dos quais não necessitamos. E aí está o cerne da questão, o culminar de todo o problema. Algo em que não devíamos residir, que não deveria habitar nas nossas casas. Digo isto na consciência de que já o presenciei dentro do meu próprio ninho e penso que já quase todos o presenciámos. E tudo isso passa a mudar não só quando crescemos, mas também quando passamos a perceber o verdadeiro sentido do Natal.

O Natal deveria entrar nas nossas casas e nas nossas famílias como um cheiro a novo, a Luz, a Vida, a Nascimento, União, Paz, Esperança… Como uma força (re)novadora no coração, um bater à porta avassalador e inesperado, uma conquista de ânimo superado… Não há palavras sequer para explicar esta quadra natalícia. E sim, há quem não acredite neste, pois o Natal é de todo um mistério e é preciso ter-se muita Fé para acreditar nele. Apesar disso, não devemos desviarmo-nos do seu verdadeiro significado. Devemos estar aptos para ajudar o próximo, pensar naqueles que nada têm nesta altura, enquanto que alguns de nós temos a possibilidade de termos uma mesa farta à nossa frente… E, sobretudo, darmos Graças por isso! Pela comida, pela família reunida à mesa e contentarmo-nos com o pouco que temos que, ao fim e ao cabo, já é bastante. Podemos não ter tudo quanto gostaríamos ou quem quereríamos ver à mesa, mas nem tudo está ao nosso controlo. Temos sempre a possibilidade de comunicar nem que seja através de uma mensagem ou de um mero telefonema, por mais que isso não possa ser o suficiente e sei que não o é. Contudo, temos tudo dentro dos possíveis e há que ter isso em conta.

Deixem-se iluminar pelas Luzinhas e por tudo o que for digno da Sua Graça e reflexo do Seu Amor por nós! Que o Seu Sal inunde o Mundo e que nós consigamos espalhar a Luz que Ele representa sob tudo e todos, até naqueles que não acreditam.

P.S.: Para aqueles que acreditam, aqui vai um desafio que me foi deixado há pouco tempo e que faz pensar muito:

“Transformarmos-nos na manjedoura onde o Menino está confortável, onde descansa e onde somos Felizes!”.

Vai e espalha a Magia do Natal durante todo o teu ano, a cada dia, na tua vida…

That’s (Christ)mas to Me – oiçam!!!

Segunda Pegada – Passo a Passo

Passo a Passo – João Pedro Pais (uma sugestão de música que podem ouvir enquanto leem o texto)

Este foi um texto que partilhei há uns meses nas redes sociais, nomeadamente no Facebook. Espero que gostem…

Para reter e lembrar, manter sempre no coração, na agenda, gravado na pele e na memória mesmo em processo de aprendizagem…

  • AMAR a vida;
  • RENASCER na derrota;
  • RENUNCIAR palavras/ pensamentos negativos;
  • ACREDITAR nas pessoas-sol aquelas a quem podemos chamar de porto seguro e que, de certa forma, são como um ombro amigo aconchegador que nos acolhe quando estamos mal, mesmo ao mínimo sinal ou toque estão sempre lá e nunca nos abandonam em circunstância alguma. São como sois que nos acompanham.

SER OTIMISTA!

Parece fácil de dizer e apresentar por tópicos, mas não. Isto não é como as listas de compras ou os slides que nos dão de auxílio no PowerPoint para estudarmos. É claro que a vida é um livro que tem que ser escrito e lido cautelosamente, mas ela não é decorada nem um pendente ou um post-it  que pomos no meio de uma agenda e, quiçá, um dia voltaremos a lembrarmos-nos do que é necessário fazer.  A vida é aqui e agora, a vida é temporária, tem pressa de ser vivida. E nós também temos tanta pressa, será que temos tempo no nosso íntimo para parar, escutar e olhar por ela? É preciso, sobretudo, darmos valor ao que temos a este dom que cabe a nós acudi-lo e proclamá-lo. Mas isso, por vezes, leva o seu tempo.

A vida não é nenhum mar de rosas em que tu tens tudo o quanto queres, à hora que queres e no sítio que queres. A vida é o que as pessoas fazem dela, as pessoas que participam nela e que, de algum modo, a modificam numas vezes para melhor, noutras para pior. Não podemos nem conseguimos ficar sempre de sorriso no rosto a fingir que nada se passou e que está tudo bem. Só nos enganamos a nós próprios… É preciso deixar as máscaras de lado e ser quem realmente somos, sem quaisquer tabus. Se precisarmos de chorar, choremos ou mesmo de gritar, gritemos e não deixemos de mostrar os nossos sentimentos. É normal nos retrairmos e isolarmos e sim a solidão também nos faz bem, faz-nos crescer e retomar o nosso caminho sozinhos. Mas iremos sempre precisar de um ombro amigo, dessas tais “pessoas-sois”  que estão dispostas a estar ao nosso lado e a acompanhar-nos nesta grande caminhada à qual chamamos vida. Por isso, lembremo-nos que nunca estamos sozinhos e mesmo quando julgamos estar temos sempre o nosso Pai que nunca nos desampara e que só quer o melhor para nós.

Portanto chora, liberta e vence. Pede socorro quando necessitas não te deixes cair no abismo podes nunca mais sair de lá, mas se eu estou a conseguir sair da minha “toca” penso que tu também consegues! Basta acreditares que podes ser mais e melhor e que vales a pena mesmo com essa tua alma tão pequena e esse ponto fugaz e insignificante que pensas que és, dá-te valor e permite-te pelo menos tenta, mas não fiques só pelo tentar há que concretizar! Tudo a seu tempo… Faz mais do que existires!

 “O que mais importa na vida não é o ponto de partida ou o ponto de chegada, mas o que (quem) guardas dentro ao longo da tua caminhada”. – Adaptado do texto «em frente» da Cora Coralina.

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In “Às nove nomeu blog”

Sara Oliveira

Pegadas na Areia – Primeira Pegada

Antes de mais nada, quero começar por dar uma explicação ao nome do meu blog. Há uns anos atrás, tinha uma explicadora que possuía um quadro pendurado numa parede junto a uma das mesas na qual dava explicações. Esse quadro sempre me intrigou e, por alguma razão, mal o li comecei a despertar o interesse e a curiosidade e a questionar-me a mim própria: “O que poderá aquilo querer dizer, significar?”. Para não falar do facto das letras terem sido bordadas à mão, o que me fascinou ainda mais. Hoje, percebo verdadeiramente o significado desse quadro. O Senhor tem caminhado ao meu lado durante toda a minha existência, até mesmo antes de eu vir para o exterior e de ser um pequeno grãozinho de areia, ainda assim Ele já me Amava e aguardava ansiosamente a minha chegada. Nunca me deixou desamparada por mais abatida que me pudesse sentir. Sempre me acompanhou no meio desta estrada e me ajudou a percorre-la, com os seus avisos de bom amigo sinaleiro. No entanto, apesar de me aperceber da sua existência, ela ficou escondida por entre tempos sombrios e cantos obscuros, aos quais eu não conseguia desvendar a Sua face e tirar a minha venda que tapava-me a vista. Eu via, mas não observava. Até que, certo dia, Ele quis chamar a atenção, não como a maioria das pessoas fazem pretendendo serem o centro do Universo, mas sim no silêncio de uma fala. O Seu espírito fez-se dar a conhecer através do simples ato do silêncio, das pessoas que representam rosto de Cristo ressuscitado e de tantas outras coisas que não consigo mencionar. A Sua presença fez-se sentir a partir do momento em que a minha presença também foi sentida, em que eu me dei como presente e presenteei os outros com essa pertença. E foi ai que dei por mim a pensar naqueles momentos em que julgava estar só e não findava nenhuma luz ao fundo do túnel, quando tudo parecia escuro e não encontrava uma saída, quando via apenas uma única pegada… Foram, nesses mesmos tempos, que Ele se queria fazer sentir, apesar de eu não O deixar ou de ainda nem sequer me ter dado conta disso.

Agora, consciente de que não caminho só em momento algum, as minhas pegadas deixaram de ser (des)Marcadas e passaram a ser marcadas e marcantes! Acredito na força do mar e que essas mesmas pegadas se vão eternizar por entre os fios de areia e as ondas espessas do mar. “Até ao dia em que… o Mar me levar”.

(Des)Pega-te, vai ser feliz!

Para acompanhar uma música que tem tudo a ver com o que acabei de escrever: Pegadas na Areia

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TEXTO PEGADAS NA AREIA – Vale a pena ler para que percebam melhor!tumblr_lk53ifshAx1qi3jkro1_500_large

Sara Oliveira